Capítulo 3

1392 Words
Peguei o telefone, e liguei para Nate Patterson, meu melhor amigo. -Se está me ligando a uma hora dessas, é porque alguma merda você fez.-Ele disse, atendendo ao telefone. -Acabei de levar a maior bronca do Frank. -Já estava na hora de alguém te colocar em seu devido lugar, não? -Não sei porque liguei pra você.-Eu disse, revirando os olhos. -Porque você acha que eu sou incrível. Harry, só presta atenção. Você está reclamando por ter uma funcionária muito boa, isso realmente está certo? -Eu sei eu sei. Estou enlouquecendo e isso não é bom. Olha, eu tenho que ir. -Essa foi uma conversa muito confusa, Harry. Você está bem? -Sim eu estou bem, bebidas mais tarde? -Mais tarde não. Eu tenho um encontro com Bella. -Você ainda vai continuar com isso? -Sei bem o que estou fazendo, Harry. -E eu não? Nate estava cometendo um grande erro. Ele iria fazer Bella Reed, a filha de seu inimigo, se apaixonar por ele, e então iria partir seu coração. Era um plano difícil e eu não sabia como Nate poderia levá-lo adiante. -Você é mau com a mulher que foi forçada a trabalhar com você. -Ok, essa conversa acaba aqui, tchau.-Eu digo, desligando o telefone. Disquei o número de Nora, e aguardei enquanto chamava. -Olá.- disse ela, e acabei percebendo que ela estava andando pelas ruas. -Você foi embora. -Eu sei, e não se preocupe, quando Frank me ligou eu apenas disse a ele que estava doente, então não se preocupe. Ele deixou você em paz? ela perguntou. -Não, ele não fez isso. Você vai voltar? -Não posso agora, tenho um... compromisso. Tudo o que você precisava que eu fizesse está naquele arquivo que lhe entreguei. Eu tenho que ir, desculpe, Harry, tchau. E essa foi a primeira vez, em toda a minha vida, que alguém desligou o telefone na minha cara. p***a! Hoje não era o meu maldito dia. Folheando o arquivo, notei que alguns pontos estavam destacados com uma caneta amarela. Havia algumas anotações e eu franzi a testa, lembrando-me do mesmo tipo de arquivo do passado. Sempre achei que era bom dar atenção aos detalhes e não tinha ideia do motivo pelo qual isso começou a me incomodar. Eu simplesmente não gostava de ser tratado como uma criança! e muito menos de ser forçado a tratar bem uma mulher pela qual não pedi! Sai do escritório e fui para a sessão de referências, onde tive o desprazer de encontrar Carl, um dos advogados que haviam tido o azar de perder alguns processos para mim. -Carl. Como vai? -Perguntei, dando um tapinha em seu ombro. -Harry, que milagre te ver circulando por aqui.-Ele disse, levantando os óculos. -Eu estou bem, e quanto a você? -Estou péssimo! Nora tem me enlouquecido. -Se você quiser passá-la para outra pessoa, eu a aceitaria num piscar de olhos. Eu poderia usar a boa sorte. É o que pensamos dela, sabe? -O que? como assim boa sorte? -Ela é nosso amuleto de boa sorte. Cada pessoa que a tem como assistente tem a garantia de vencer.-A expressão de inveja no rosto de Carl não foi difícil de ignorar. -Bem, infelizmente não irei me livrar dela tão cedo.-Eu disse, dando um tapa em suas costas e saindo da sala. Nora Ficar doente não era normal pra mim, e eu odiava isso! Odiava as mentiras, e fingir que estava com tosse, quando na verdade não era tosse, eu estava esgotada! Depois de quatro entrevistas, eu estava mais do que exausta, mas o que era ainda mais louco é que cada empresa havia telefonado de volta para mim uma hora após a entrevista e queriam que eu trabalhasse para eles. A tentação era tão forte, e eu não sabia por que não estava pulando de alegria com a perspectiva de seguir em frente e se afastar de gente como Harry. Eu estava cansada e queria uma mudança de ritmo. Nunca imaginei minha vida dentro de um escritório de advocacia, destacando textos importantes, digitando cartas, enviando fax e lidando com clientes. O trabalho era maravilhoso e eu gostei. O problema era eu. Eu não queria mais fazer isso. ''-Estúpida. Um aluno da primeira série poderia fazer isso.” “Você fez compras em um brechó? Temos uma imagem para projetar.” “Não há chance de você ter um encontro, certo? Eu posso contar com você." “Sério, Nora, tenha uma vida. Ninguém quer comer essa merda que você preparou. É melhor você ir à padaria.'' Todos esses comentários foram feitos a mim nos últimos seis meses de trabalho para Harry. Me lembrei de como ele me entregou um monte de bilhetes e disse para eu ir à padaria. Em vez de ir à padaria, eu coloquei o dinheiro dele em uma caixa de caridade e dei um doce embrulhado que eu mesma preparei. Ele não criticou e pediu que eu passasse na padaria que frequentava todos os dias. Eu provavelmente não deveria ter feito o que fiz, mas adorava cozinhar e, além disso, não foi difícil mudar o pedido dele. Eu me senti culpada por isso o dia todo, mas ele adorou que eu cozinhasse. Ele simplesmente pensou que era de outra pessoa. Ele pensava o pior de mim sobre todo o resto. Mandá-lo para os compromissos errados foi uma besteira. Mesmo ele sendo uma pessoa horrível, eu adorava ser a melhor em meu trabalho. Eu levei dias para conseguir um novo computador, configurar tudo e depois ligar para todos os seus clientes para redefinir todos os seus compromissos. Ele tinha ido a alguns compromissos em horários errados e achou que eu fiz isso de propósito! Indo para Frank, eu esperava ser demitida. Quando expliquei o que havia acontecido, ele disse que não iria me demitir. Disse que eu fiz tudo o que pude para levar Harry aos lugares onde ele precisava chegar na hora certa. Na segunda-feira seguinte, com o estômago embrulhado, eu foi até minha mesa, me sentindo ainda mais enjoada. Até agora, não havia ninguém lá e eu estava feliz com isso. Minhas mãos estavam úmidas de tanto mentir. Ligando o computador, eu olhei a correspondência deixada em minha bandeja. -Você está bem? — Kate perguntou, me fazendo ofegar. -Você me assustou.-Eu disse, levando a mão no coração. -Desculpe docinho. Estávamos todos preocupados com você. - Não é nada. Kate olhou para mim e cruzou os braços. - Por que você parece culpada? -Tudo bem, tudo bem, posso ter feito algo sobre o qual não tenho certeza.-Eu disse, suspirando. -O que? Olhei para a esquerda e para a direita para ter certeza de que não havia ninguém por perto. -Posso ter, hum, enviado alguns currículuns. -Curriculuns? -Para trabalho. Estou pensando em mudar de ritmo. -Surtou? Você não pode fazer isso. Isso é sobre o Harry? Posso contar a Frank e ele vai te remanejar, tenho certeza. -Não tem nada a ver com Harry.-Eu menti, na cara dura.-Eu quero seguir em frente, sabe? Eu não esperava estar aqui, e daqui a alguns meses farei vinte e seis anos, e não era isso que eu queria. Não que eu não seja ingrata. -Pra onde você vai? — Kate perguntou. -Não sei. Eu vou descobrir, tenho certeza que vou. Eu não vou desistir. Você me conhece. Eu tenho que fazer minhas próprias coisas. -Excelente, Nora, você finalmente chegou. Preciso de você no meu escritório.- disse Harry. Esperava profundamente que ele não tivesse ouvido. Ele provavelmente telefonaria para as empresas que eu visitei e daria uma má referência. -Vamos almoçar.-Kate disse. -Claro. Eu te vejo lá. Colocando a bolsa ao lado da cadeira, peguei meu caderno e corri para o escritório dele. Ele estava parado ao lado de sua mesa e parecia imerso em pensamentos. -Acredito que você esteja muito melhor agora. -Muito melhor? -Você estava doente. -Oh, sim, estou muito, muito melhor.-Eu sorri e mais uma vez minhas bochechas ficaram vermelhas. -Vamos começar a trabalhar. Notei uma mudança no comportamento de Harry. Foi tão sutil. Não houve zombaria sobre minhas roupas, ou sobre meu cabelo, ou mesmo sobre o fato de eu ter tirado alguns dias de folga. Fiz anotações sobre alguns de seus clientes e referências a outros casos.Harry também me entregou uma pasta que continha todas as atualizações necessárias, o que, me assustou um pouco. Quem é você e o que fez com Harry donovan?
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