— Paguei. Peguei o celular, abri o comprovante e mostrei pra ele ali mesmo. — Tá aqui. Ele inclinou o corpo pra frente, analisando a tela com atenção. — Certo, certo. Com um aceno de cabeça, satisfeito. Eu fiquei olhando pra mesa. — E tua mãe? — ele perguntou depois. Respirei fundo. — Tá na mesma. Fazendo fisioterapia. Ele levantou o olhar. — Ainda tá pagando? — Tô. Silêncio. Ele abaixou a cabeça, apoiando os antebraços na mesa. — Imagino como deve estar sendo difícil pra você. Eu quase ri. Não de deboche. De cansaço. Eu acordo de madrugada, enfrento fila, revista, gasto o que não tenho, pago fisioterapia, pago advogado, pago tudo. Mas só assenti. — A gente dá um jeito. Ele passou a mão no rosto, como se carregasse culpa. — Quando eu sair daqui. Eu interrompi antes qu

