Juliana Narrando O despertador tocou às três e meia da manhã. Aquele som irritante cortando o silêncio pesado da madrugada. Eu levei alguns segundos pra lembrar onde eu estava e, principalmente, pra lembrar pra onde eu precisava ir. Visita. Passei a mão no rosto e desliguei o alarme. O quarto ainda estava escuro, o ar frio. Levantei devagar, sentindo o corpo pesado. Dormi pouco. Fui direto pro banheiro, lavei o rosto com água gelada pra espantar o sono. Me olhei no espelho. Olheiras discretas, expressão fechada. — Vamos lá — murmurei pra mim mesma. Escolhi a roupa com cuidado. Nada chamativo. Nada que pudesse dar problema na revista. Coloquei uma calça jeans simples, sem rasgos, camiseta branca lisa, sutiã sem aro, sem detalhe de metal. Prendi o cabelo num räbo de cavalo baixo. Chi

