ENTRE O AMOR E A GUERRA

1195 Words

A tarde se arrastava feito um castigo. No quarto branco do hospital, o som das máquinas conectadas à Letícia era a única coisa que mantinha a sanidade. Cada bip do monitor cardíaco era um lembrete de que ela estava ali, viva, mesmo que adormecida em um silêncio que me rasgava por dentro. Eu estava sentado na poltrona desconfortável ao lado da cama, os cotovelos apoiados nos joelhos, os olhos fixos na tela da TV que ficava presa na parede. Não costumo perder tempo com televisão, mas agora... não tinha como desligar. O rosto do maldito deputado estampava todos os canais. Paletó alinhado, gravata impecável, cabelo penteado como se fosse um personagem de novela. A voz dele era firme, ensaiada, carregada de um falso moralismo que me fazia querer socar a parede. — “Essas acusações são absurda

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