A manhã estava quente, mas um vento leve passava pelas vielas, trazendo o cheiro misturado de pão fresco e café das casas. Bati no portão da casa da Laura, sorrindo quando ela apareceu na entrada, ainda de short e camiseta. — Bora dar um pulo no mercadinho? Preciso comprar algumas coisas — perguntei, segurando a listinha que tinha feito. Charada havia deixado uma quantia em dinheiro. Laura olhou para dentro, como se esperasse que Coringa aparecesse para vetar a ideia, mas acabou concordando. Pegou o chinelo, prendeu o cabelo num coque rápido e veio comigo. Descemos juntas pelas ruaa estreitas do morro, o som de funk tocando em algum barraco mais acima, crianças correndo e gritando no beco. O mercadinho ficava na esquina, aquele pequeno ponto de encontro onde sempre tinha alguém na po

