O sol ainda nem tinha dado as caras quando eu entrei em casa. Eram quase duas e meia da manhã. A rua tava vazia, só o som dos grilos e dos meus passos no chão de cimento. Fechei a porta devagar, joguei o boné no sofá e encostei na parede, ainda com o gosto do beijo dela na minha boca. Bianca. Eu nem sei explicar o que foi aquela noite. A mina tem uma coisa diferente. Não é só o sorriso, é o jeito que ela olha, escuta, fala. Me deixou desconcertado. A gente ficou horas no mirante, falando sobre tudo e nada. Quando eu encostei nela, pensei que ela fosse se afastar. Mas não. Se aproximou, me olhou com os olhos brilhando. Me beijou com vontade, mas sem pressa. Sabe? Com verdade. Eu não era o Naipe ali e ela enxergava isso. Não rolou nada além disso. E talvez tenha sido melhor assim. Porq

