A madrugada estava silenciosa no morro. O vento frio cortava entre as vielas estreitas, trazendo consigo o eco distante de cachorros latindo e o ronco dos carros que, vez ou outra, passavam na avenida principal, lá embaixo. Parecia uma noite comum, até que o primeiro rojão ecoou. Seguindo por mais duas vezes. A guerra havia começando. OS tiros começaram, mas foi diferente. Foi forte, seco, grave. Explosões coordenadas, barulho de fuzil automático rasgando o silêncio da noite. Um ataque em peso. Naipe acordou no mesmo instante, o coração disparando no peito. Levantou-se da cama já com a mão indo para a arma que descansava na mesa de cabeceira. Ele não precisava de explicações. O som era inconfundível: invasão. O deputado tinha cumprido a promessa de retaliação. Coringa, do outro lado

