Cheguei em casa durante a hora do almoco. A ideia era entrar e sair, sem ver a Leticia. A rua já estava mergulhada naquela bagunça típica do morro, funk e pagode tocando nos rádios, vozes ecoando pelas vielas, criamca gritando. Gosto desse horário. O silêncio da minha própria cabeça só aparece quando o mundo tá barulhento demais. Destranquei o portão, com passos calculados, como sempre. Nunca entro sem antes checar os arredores. Um hábito que não me abandona. Foi aí que percebi algumas risadas na sala. Estranhei. Letícia deveria está sozinha. Empurrei a porta devagar, atento. Não esperava encontrar perigo dentro da minha própria casa, mas também nunca subestimo nada. Foi quando ouvi vozes femininas. Laura. E Letícia. A primeira estava rindo, nervosa, a segunda tentando conter a curi

