A varanda estava mergulhada na penumbra suave do fim da tarde. O céu já se transformava em um mosaico de tons rosados e alaranjados, e o silêncio entre os dois se estendia, pesado, mas não desconfortável. Letícia segurava o chocolate ainda fechado entre as mãos, como se fosse um pequeno tesouro. O gesto de Charada tinha tocado fundo, mas também acendeu uma urgência dentro dela: precisava dizer algo, precisava quebrar aquele muro invisível que os cercava. Ela respirou fundo, sem coragem de encarar diretamente o homem que estava encostado no batente da porta, de braços cruzados, olhar fixo no horizonte. — Charada… — começou, a voz quase um sussurro. Ele desviou o olhar lentamente para ela, erguendo uma sobrancelha. — Hum? — Eu... Eu acho que… já fiquei tempo demais aqui. - Letícia he

