O escritório de Marcelo Alencar exalava poder. As paredes forradas de madeira escura, as estantes abarrotadas de livros de direito, quadros com fotos dele ao lado de governadores, prefeitos e generais. Aquele ambiente não era apenas um local de trabalho: era o trono de um homem que acreditava controlar os bastidores de tudo. Sentado atrás de sua mesa impecavelmente organizada, o deputado tamborilava os dedos contra uma pasta vermelha. Dentro dela, documentos e relatórios sobre o morro. Seu olhar era frio, cansado de meias soluções. A porta se abriu, e o assessor particular anunciou: — Deputado, eles chegaram. Marcelo assentiu, erguendo o queixo. — Mande entrar. Milena entrou primeiro, tentando manter a postura, mas seus olhos não escondiam a tensão. Logo atrás, Beatriz surgiu, carreg

