Carlos Torres ajeitou os óculos na ponta do nariz, sentado na varanda simples da casa alugada no interior do Rio de Janeiro. O silêncio do lugar contrastava com os pensamentos queimando dentro da sua mente. Desde que recebera a ligação do deputado, a informação de que as meninas estavam fora do orfanato tinha se tornado o estopim para um novo movimento. Agora, precisava agir. O celular vibrou sobre a mesa de madeira. No visor, o nome de Afonso iluminava a tela. Carlos respirou fundo antes de atender. — Boa noite, doutor — disse Afonso, a voz carregada de respeito, mas também de ansiedade. — Boa noite. Conseguiu adiantar alguma coisa? — Carlos foi direto. — Fiz os contatos. Os meninos do morro estão mais atentos do que nunca. Mas se a gente for colocar alguém lá dentro, tem que ser cir

