Sombra era um homem alto e com os olhos profundos, tinha os cabelos negros de Alice e o temperamento do pai, mas ao contrário dos demais soldados, Sombra não gastava o tempo em musculação, preferia treinamentos tácticos, gostava de estudar lógica e lutava Krav Maga.
Tornou-se o melhor atirador da organização e as vezes participava de torneios esportivos de tiro.
Para Ethan, as armas eram extensão do próprio corpo, nunca errava um tiro, por mais difícil que parecesse. E foi por essa habilidade que ficou responsável pelo treinamento dos demais soldados. Inclusive fora do país e em organizações aliadas.
Mark era um “Friend”, um tipo de associado que atuava exclusivamente fora da organização. Não era considerado parte da família, apenas um elo externo que auxiliava em pequenas atuações.
O homem era um importante CEO da área de tecnologia e operava em várias frentes. Mark fornecia todos os equipamentos para a máfia, desde celulares que não podiam ser rastreados, até os chips de invasão de softwares, as dívidas com esse tipo de gente não podem ser pagas com dinheiro, eles cobram favores, e dessa vez Mark precisava de um soldado.
- Você é o homem de Hermes?
Sim, sou o soldado que a família enviou para resolver o seu problema.
- Estava esperando por dois homens.
- Sou o suficiente para resolver o problema.
- Eu defino o que é o suficiente e você, definitivamente não é!
A arrogância costumava andar lado a lado com o poder e o dinheiro e Ethan apesar de ser um dos soldados mais bem pagos era simples na forma de se vestir, o que Mark não esperava é que apesar de parecer simples, Sombra tinha um comportamento complexo e escuro como sua alma.
Sombra segurou o homem pela nuca e o levou até uma janela ampla que dava para a frente do seu escritório.
Ethan tinha a voz calma e compassada como um professor que explica uma fórmula matemática.
- Você está vendo os carros lá embaixo?
- Solte-me seu infeliz!
- Responda à pergunta.
- Estou! Estou vendo
- Você precisa entender que eu não estou aqui porque gosto, estou cumprindo ordens. Se você quiser ficar aqui em cima ao invés de lá embaixo, você vai me respeitar e deixar que eu faça o meu trabalho. Entendeu?
- Entendi!
- Ótimo, que bom que fizemos amizade, preciso do nome e resolvo o seu problema.
- Ele se chama Adam Brown e participará de ....
- Eu pedi um nome, pode parar de falar agora, volte para a sua poltroninha engomada e espere.
Sombra voltou para o carro que tinha alugado de extremo mau humor, mas após algumas pesquisas encontrou a localização de Adam.
O homem participaria de uma reunião no Faena House às 20h00. Adam nunca chegou ao décimo segundo andar do prédio.
Foi executado com um único tiro disparado a 2.850 metros de distância.
Sombra não perguntava, apenas agia e naquela noite não foi diferente, o parceiro designado pela organização não o acompanhou e ele não esperou.
- Alvo eliminado, chefe.
- Bom trabalho, Sombra! Voltem para casa.
- Senhor, Ceifador ficou em Nova York.
- Você abandonou um soldado, Sombra?
- Não senhor, meu irmão escolheu ficar.
- NÃO VOLTE SEM MEU FILHO!
- Sim senhor
Sombra encerrou a chamada e foi em busca de Ceifador, o parceiro ainda estava no quarto de Hotel próximo ao aeroporto. A viagem entre Miami e Nova York era curta, cerca de 30 minutos de voo e Sombra encontrou o filho do chefe entre duas prostitutas.
- Ceifador, vamos embora!
- Calma aí, o alvo não vai fugir do país, depois, Sombra, depois!
O homem ainda estava de ressaca.
- O alvo foi eliminado, o chefe deu a ordem para voltarmos.
Assim que chegaram, Sombra foi chamado por Hermes.
- Você era o responsável pela operação, Sombra!
- Sim, senhor!
- Por que abandonou o seu parceiro e ameaçou um associado?
- Ceifador estava bêbado.
- E o associado também estava bêbado?
- Não, ele foi arrogante e eu o coloquei em seu lugar.
Hermes não era conhecido pela paciência e tinha um afeto especial pelo filho, ver o seu melhor soldado acusá-lo de ser imprudente feriu o ego do capô e ele reagiu a altura.
- Você aprenderá que as regras devem ser seguidas, Sombra! E vou garantir que não se esqueça.
Sombra foi levado para uma sala de interrogatórios, passou três dias sem comer e sem tomar água. Os soldados se revezavam para surrá-lo, no segundo dia Ceifador entrou.
- Eu não errei, precisa contar ao chefe!
- Cale a boca, Sombra!
Ceifador ficou na sala por 30 minutos, tinha prazer com a dor do soldado.
A ordem era para que o castigo durasse uma semana, mas no terceiro dia, Apollo interveio.
- Solte o moleque, Hermes!
- Ele precisa aprender a lição, o garoto é fraco porque você o protege.
- Sombra não é fraco! Ele cumpriu a missão, foi criado para isso e não para ser baba do seu filho!
- Baixe o tom ou vou perder a cabeça com você, Apollo, somos amigos.
- Se somos amigos, solte o moleque! Laury está em crise e eu nem consigo comer sabendo o que está acontecendo lá dentro, Hermes, pela amizade que diz ter por mim, deixa eu levar o meu filho para casa.
Hermes cedeu e permitiu que Apollo entrasse para soltar o afilhado.
Quando o subchefe entrou o cheiro era horrível, Sombra estava no chão com as mãos amarradas aos pés e havia urina e sangue por toda tarde.
- Padrinho eu não errei, não quis envergonhar o senhor, desculpe.
- Eu sei moleque! Venha, vamos para casa.
Apollo levou o afilhado para o centro médico que mantinham no condomínio, Benjamin já estava aguardando, haviam conversado e decidido que seria mais fácil Hermes ouvir o subchefe.
Sombra entrou no Centro médico desidratado, com vários ossos quebrados e uma lesão no baço que exigiu a retirada do órgão em cirurgia.