05 - Saia para comprar o enxoval

1077 Words
Quando Ethan veio morar sob a proteção do padrinho, Hermes deu a permissão para que o menino fosse treinado para suceder Apollo. - Hermes quero que reconheça Ethan como nome para segundo homem. - Apollo, o garoto tem espírito, mas não é seu filho, esse direito é do homem que se casar com uma de suas meninas. - Estou criando o garoto, Hermes, ele é como meu filho e as meninas não terão casamentos determinados pela organização, já tivemos essa conversa. Elas se casarão com quem desejarem e quando desejarem. Precisamos de um homem da família para assumir e, você sabe, que Ethan é o melhor nome. - De acordo, Apollo, se prefere passar esse privilégio para o filho de outro homem e deixar suas filhas sem a herança que é de direito, eu não vou me opor. Ceifador estava sendo treinado para assumir o lugar de Hermes e, por isso, o capô não podia negar o direito de um filho adotivo, o filho veio para a organização depois de ser rejeitado pela própria mãe e pelo capô da organização aliada, drangheta. As mulheres da família foram levadas e estavam perdidas há vários anos quando foram resgatadas com o apoio de Hermes, uma das mulheres havia dado à luz em cativeiro, Ceifador era fruto de um abuso e mesmo após o resgate da mãe, o menino foi rejeitado por Matteo, a ordem era que Hermes matasse a criança, mas o capô não faria algo assim, acolheu o menino e o levou para Nova York, a criança chegou ao condomínio com 10 anos e foi treinado para ser o próximo chefe. - Só há uma condição para que eu aceite esse arranjo, Abby é filha de Anthony e se estabeleceu como aliado da Cosa Nostra aqui em Nova York, ele é o chefe dos Lucchese. Quero me aliar a eles e o melhor meio é o casamento. - Não vejo motivo para rejeitar sua proposta. - Então mandarei a proposta a Antony e faremos o casamento. Os casamentos na máfia costumavam ser assim, eram tratados que ocorriam muitos anos antes da cerimônia oficial de casamento, Ethan sabia apenas o nome da mulher que seria sua esposa e não se incomodava com isso, era parte do código, acreditava que o amor era construído com respeito e dedicação, após o casamento conquistaria o coração de Abby. No entanto, a garota não pensava com a mesma naturalidade sobre se casar com um desconhecido. Tinha ouvido boatos sobre o noivo, sabia que ele era c***l com seus inimigos e tinha gosto por sangue. - Papai, eu não quero me casar. - Isso não está em discussão, Abby, são noivos desde que eram apenas crianças, foram dezessete anos de investimentos e alianças entre as famílias, não vou permitir que a sua birra desfaça tudo isso. - Ele é um monstro, pai, tem coragem de me entregar a um homem conhecido por ser o pior entre os homens de Hermes? - Abby, respeite o seu marido e não terá o que temer, é o seu papel. A garota era apaixonada por um dos soldados do pai, fugia durante a noite para ficar com o rapaz e haviam planejado diversas vezes uma fuga. Abby acreditava que o casamento deveria acontecer por amor, ser uma escolha mútua, alicerçada na confiança e admiração, tinha asco da ideia de ser tocada por um desconhecido e ser oferecida como um objeto em troca de benefícios. Apollo se lembrou do casamento quando Hermes decidiu mandar o soldado ao Brasil era um meio de manter Ethan na propriedade, não queria que o afilhado fosse com o futuro capô em busca dos sequestradores de Adrya. - Hermes, mande o Ceifador é seu filho e tem o direito de defender a própria família, faremos o casamento de Sombra e manteremos a organização mais forte. - Concordo, é um bom momento para buscarmos fortalecer nossos elos com os Lucchese e Ethan está pronto, mas adiaremos a ida do Ceifador, quero que ele esteja presente no casamento, será bom para o futuro da organização que ele se aproxime dos nossos aliados. - Certo! Vou falar com o moleque e o preparar. Para Sombra o casamento era só mais um passo dentro da organização, não havia sentimentos envolvidos. Ele cumpriria a ordem e seria fiel a esposa. Na máfia a traição era vista como desonra, havia um ditado seguido por todos. “O homem capaz de trair quem fecha os olhos ao seu lado, não é digno de confiança nenhuma” - Moleque, precisamos conversar. - Padrinho. - Falei com Hermes e achamos que chegou o momento de você se casar com Abby, a garota já tem idade e você está pronto para o próximo passo. - Falaremos sobre o casamento quando Ceifador e eu voltarmos do Brasil, não posso me casar e deixar Abby sozinha, não seria certo com ela. - Você não irá para o Brasil, ele vai sozinho e se precisar de ajudar mandará te buscar. Faremos o casamento na próxima semana, ele também ficará até lá. - Certo, padrinho é uma ordem? - É sim, Sombra, está decidido. - Então cumprirei Anthony recebeu bem a notícia, gostaria de ter mais tempo para fazer uma festa maior, mas estava satisfeito que Hermes estava honrando sua palavra. - Abby, arrume suas coisas, saia para comprar o seu enxoval, seu esposo enviou um cartão, poderá escolher o que desejar para a casa nova, compre roupas novas, também. Você se muda na próxima semana. - Papai, por favor! - Abby não comece essa história outra vez! - Pai eu não posso me casar, eu amo outra pessoa, por favor! - Como assim? Você nunca saiu dessa propriedade sem escolta, não seria possível. - Juan e eu nos amamos, queremos nos casar! - O soldado!? Você teve coragem de se esfregar com um soldado sujo? Um mexicano que só tem o que comer pela minha caridade? - Pai, eu estou implorando! Por favor! - Cala a boca e vai fazer o que lhe mandei, Juan morre hoje! Quando a garota tentou argumentar foi calada com um tapa do pai e levada pela mãe para o quarto. O soldado executado por traição no pátio da casa e deixado lá para que o aviso fosse ouvido por todos os soldados. Abby nunca saiu para comprar o enxoval, não se preparou para aquilo que o pai chamava de casamento e passou os dias trancada no quarto entre soluços e pesadelos.
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