-Não diga que somos casados - Daphne implorou ao homem que se preparava para uma entrevista no New York Times
-Fala sério Daph - ele teve que revirar os olhos com o pedido - meio mundo sabe que somos casados
Ela deu ombros e saiu da sala e ficou pela janela de vidro observando tudo, não demorou muito e lá já estava cheio de mulheres, sem dúvidas todas que trabalhavam lá estavam ali para admirar e prestigiar o CEO
As perguntas que o entrevistador fazia não eram tão difíceis e Daphne sabia a resposta de todas, a maioria delas eram sobre o futuro dos negócios e quais as metas para o próximo ano, sem deixar de perguntar do lançamento recente
A mulher estava vidrada em Henry, a forma como ele falava e sua linguagem corporal frente as câmeras, era incrível e ela reconhecia que ele merecia todo aquele sucesso
-Ele é um gato - Daphne ouviu sussurros das mulheres ao seu lado
-Nem guindaste me tiraria de cima desse homem - a outra falou
-Ouvi dizer que ele é casado com uma mimadinha de Boston - uma delas ironizou - aposto que deve ter outras amantes
Daphne estava incrédula pelas especulações que ouvia, era óbvio que seu marido era um gato, um gostoso e todos os outros bons adjetivos que poderiam descrever um homem mas ouvir aquilo de outras mulheres fazia seu estômago revirar
Depois de mais algumas horas de entrevista Henry quis sair a procura de Daphne naquele prédio mas sabia que ela não gostaria nem um pouco da presença dele. O homem desejou dividir como tinha sido toda a entrevista apesar de saber que a esposa tinha acompanhado um pedaço dela pela janela do estúdio
"Vou pedir um jantar para nós, esteja em casa ás 19.. quero conversar algumas coisas " Ele enviou a mensagem e imaginou em como a esposa estaria ansiosa tentando adivinhar qual o assunto da conversa
No décimo quinto andar do prédio Daphne finalizava seu último texto, ela olhou pela janela e viu o céu escuro e as luzes acesas da cidade, amava a visão que tinha de sua mesa, sem dúvidas não queria deixar aquele lugar tão cedo
Depois de pegar sua bolsa ela entrou no carro e foi em direção ao Upper east side, suas colegas de trabalho morreriam se soubessem que ela mora no metro quadrado mais caro de Nova York e ainda é casada com o gostoso do Henry Walton, mas isso era assunto para outra hora
Ela estava curiosa com o assunto do jantar e ainda mais, estava surpresa pelo convite do homem os dois não jantavam juntos já tinha um bom tempo. Até mesmo a cozinheira tinha sido dispensada
Ela abriu a porta da cobertura e viu somente metade das luzes acesas, o clima estava i********e e quem sabe um pouco romântico. Ela arriscou e entrou de vez, da sala conseguiu ter uma visão completa da cozinha e do seu marido sem camisa na beira do fogão
"Ele não ia pedir comida ?" Ela pensou mas logo se lembrou dos dotes culinários do homem, Henry dizia que por ter saído de casa cedo teve que aprender a fazer muitas coisas e uma dessas era cozinhar
Daphne tinha que admitir que a comida dele era maravilhosa
-Está tudo bem aí ? - ela encarou o homem que tinha um olhar preocupado
-Tá sim - ela sorriu tentando disfarçar o quanto estava babando nele - achei que fosse pedir comida
-Eu ia - ele mexeu alguma coisa na panela que cheirava bem - mas para deixar o clima mais.. - ele buscou palavras - mais íntimo eu quis cozinhar
Daphne sorriu e se sentou no balcão acompanhando os passos do marido, diferente dele ela não cozinhava nada a não ser na vez que arriscou fazer uma torta de maça para o dia de ação de graças e quase colocou fogo na casa dos pais, depois disso ela prometeu nunca mais chegar perto de um fogão
O que foi em vão, ela se lembrou de quando conheceu Henry e ele a levou para seu apartamento para um jantar mas quando chegou ele disse que ela o ajudaria, sem dúvidas foi a noite mais animada dos dois, farinha de trigo por toda cozinha e sem contar como se sujaram com sorvete de pistache
-Sem lembra ... - ela quis falar mas rapidamente foi interrompida
-Da noite que cozinhamos juntos e no final minha cozinha ficou destruída ? - ele gargalhou e ela não teve como não olhar
Fazia tempo que aquela casa não ouvia uma risada feliz e sincera
-Foi uma noite incrível
-Foi sim.. podíamos repetir quando você quiser - ele sugeriu se aproximando dela - e quem sabe podíamos repetir a noite do sábado passado
-Henry.. eu prometi - ele colocou os dedos sobre os lábios dela em uma tentativa de fazê-la se calar
-Não prometa coisas que não pode cumprir querida - ele tomou seus lábios e pode sentir as mãos dela deslizando sobre sua b***a
O beijo era intenso e com muito t***o, se não fosse o barulho do forno apitando Henry teria tomado Daphne para si ali mesmo naquele balcão
-Porra.. porra.. p***a - o homem se amaldiçoou - me lembre de projetar um forno que não faça esse tipo de barulho - dessa vez quem gargalhou foi Daphne
-Estou salva - ela sorriu
-Não por muito tempo barbie - Henry montou a mesa de jantar com ajuda da esposa e colocou o prato principal no centro, tinha feito cordeiro assado, sabia que era o prato preferido dela e ele queria agradar
-Tudo meramente calculado - ela se referia ao jantar
-Estou me esforçando para manter isso aqui - ele mostrou a aliança dourada no dedo anelar
O estômago dela revirou com as borboletas vindas daquele gesto, tinha que reconhecer o esforço do homem mas ainda sim ela tinha seus muros levantados
-Me diga o que quer conversar, pensei nisso a tarde toda - ela bebeu um gole do vinho tinto
-Só queria compartilhar como foi meu dia e minha entrevista
-Estou ouvindo
Foi o jantar mais longo de todos os anos que estavam juntos, sem contar as risadas altas que podia se escutar. Henry detalhou como tinha sido a entrevista e Daphne ironizou os comentários das colegas de trabalho
-Ciúmes ? - ele encarou a esposa
-Enquanto eu estiver casada com você não vou permitir comentários assim
Henry a olhou perplexo
-Preciso contar a Doutora Quinn sobre nossos avanços