CAPÍTULO 10 CORINGA NARRANDO — Tudo bem? — Tudo. Ela disse, mas o corpo dela tremia. A boca apertada, os olhos marejados, a respiração curta. Tava segurando. Tava aguentando. Mas eu sentia. Cada centímetro que eu entrava, ela travava. Parei. Me apoiei nos cotovelos, olhando pra ela. — Para de mentir. Ela me olhou. — Não tô mentindo. — Tá tremendo. — É nervoso. — É dor. Ela desviou o olhar. Fiquei olhando ela. Cabelo espalhado no travesseiro, corpo mole na cama, olhos marejados. Linda. Frágil e entregue. — Eu não vou te machucar — falei baixo. Ela voltou a me olhar. — Eu sei. — Se tu falar pra parar, eu paro. — Eu não quero que você pare. Passei a mão no rosto dela. — Então relaxa. Ela respirou fundo. Soltou o ar devagar. O corpo dela foi se soltando, os ombros baixando,

