CAPÍTULO 116 CORINGA NARRANDO O silêncio na sala tava pesado, dava pra sentir no ar. Eu encostado na mesa, Toro do lado, nós dois só esperando, até que a porta abriu, sem pressa. Primeiro entrou o Tito, postura firme, olhar sério, daquele jeito dele que já chegava impondo respeito. Atrás dele, veio o filho dele. Cadu. Olhei rápido pros dois, analisando. O clima ficou mais pesado ainda. Fechei um pouco a cara, mas mantive a postura. — E aí — falei, direto. Tito veio até mim e estendeu a mão. — Coringa. Bati na mão dele, firme. — Suave. Cadu fez o mesmo. — E aí. — Suave — respondi, olhando bem pra ele. Mas minha atenção voltou pro Tito na hora. — Fala qual é. Sem rodeio. Ele olhou rápido pro Toro, depois voltou pra mim. — Quero trocar uma ideia contigo. Assenti de leve. —

