CAPÍTULO 39 MILENA NARRANDO Eu já sabia que ia ser assim. Sabia, mas ouvir, doía diferente. Cada palavra dele parecia bater mais forte do que devia. Como se eu já não tivesse destruída o suficiente. Fiquei ali, parada na frente dele, tentando me manter de pé. Porque por dentro, eu tava desmoronando. — Tá bom… — falei baixo, limpando o rosto. Minha voz saiu fraca. Sem força. Sem defesa. Ele desviou o olhar, como se também estivesse tentando se controlar. Mas eu já tinha visto o suficiente pra saber que ele não acreditava em mim e aquilo me machucava muito. Passei a mão no braço, tentando me recompor. Olhei em volta. Os meninos mais afastados, mas ainda olhando. O clima pesado. Eu não pertencia ali, nunca pertenci. Mas agora, eu também não pertencia em lugar nenhum. — Eu não vim aqui

