CAPÍTULO 106 LUZIA NARRANDO Eu gelei quando vi, na hora. Não foi dúvida. Não foi impressão. Foi certeza. Meu corpo inteiro travou quando aquela menina entrou ali do lado do Coringa. O jeito, o rosto, o olhar, até a forma de andar. — Meu Deus… — murmurei baixo, quase sem ar. Porque não tinha como. Não tinha. Ela era a cara da Mayra. Mas não só isso. Quando ela virou um pouco o rosto, quando mexeu no cabelo, eu vi outra coisa. Cadu. Tinha traço dele ali também, leve, mas tinha e foi aí que o passado voltou com tudo, como um soco. Como se nunca tivesse ido embora. Fechei os olhos por um segundo, sentindo o coração apertar. — Não… não pode ser… Lembrei daquele dia como se fosse ontem. O hospital. A correria. Mas eu não tava lá dentro com ela. Quem tava… era a amiga dela. A única

