CAPÍTULO 115 CORINGA NARRANDO Saí de casa já com a mente ligada, nem olhei muito pra trás. Hoje não era dia de distração. Peguei a chave da moto e desci as escadas do barraco já no automático. O movimento no morro tava começando a acordar, gente subindo, descendo, som de rádio ligado ao longe. Passei pela contenção. — E aí, chefe — um dos menor falou, já se ajeitando. Assenti de leve. — Suave? — Tudo na paz. Olhei em volta, rápido. — Fica ligado hoje. Ele entendeu na hora. — Pode deixar. Subi na moto, liguei e desci o morro sem pressa, mas atento. Cada canto, cada movimento. Porque qualquer vacilo podia custar caro. O vento batendo no rosto ajudava a clarear um pouco a mente, mas não apagava o que tava martelando nela. Tito. Aquela conversa de ontem. A forma que ele olhou

