CAPÍTULO 33 MILENA NARRANDO Atravessei a rua de volta praticamente sem sentir o chão. Meu coração tava disparado. Minha mão suando, apertando aquela sacolinha como se ela fosse explodir. Entrei no prédio rápido. — Boa noite de novo, dona Milena — o porteiro falou. — Boa… — respondi baixo, sem nem parar. Fui direto pro elevador, apertando o botão várias vezes, impaciente. — Anda logo… A porta abriu, e eu entrei. Apertei o andar. E ali dentro, parecia que o ar ficou pesado. Olhei meu reflexo no espelho e, pela primeira vez, eu me vi de verdade. Pálida. Nervosa. Assustada. — Calma… — falei baixo. — É só um teste… Mas nem minha voz parecia me convencer. A porta abriu no meu andar e eu saí rápido, quase correndo pelo corredor. Abri a porta de casa, entrei e tranquei. Silêncio. Ma

