CAPÍTULO 22 CORINGA NARRANDO Dois meses. Dois meses que aquela doida sumiu da minha vida como se nunca tivesse passado por ela. E, porrä, eu segui, ou pelo menos tentei. O morro não para. Nunca parou. Carga chegando, carga saindo, reunião com gerente, resolver problema de um lado, outro já aparecendo, a vida aqui é essa. Não dá tempo de ficar pensando em ninguém não e mesmo assim, eu pensava direto. — Caralhø… — resmunguei, puxando o baseado e soltando a fumaça devagar, olhando a vista lá de cima. A noite tava tranquila. Movimento controlado. Os cria na atividade, tudo fluindo do jeito que tem que ser. Mas minha cabeça, não. — Qual foi, chefe? — Toro chegou do meu lado, encostando no muro. — Tá com essa cara aí já tem dias. Dei uma risada sem humor. — Impressão tua. — Impressão

