Capítulo 3

1115 Words
Luiza Bernardi  Acordo um pouco mais descansada e feliz por estar com o cabelo limpo, levanto vou dar uma olhada em minha mãe que está dormindo, o bom é que ela está se sentindo melhor esses dias. Vou até o ponto de ônibus confiante, estou sentindo que hoje será um ótimo dia, e para minha surpresa o ônibus chega rápido hoje, e está vazio, perfeito. - Bom dia senhorita - O segurança da Cesarini´s me cumprimenta - Bom dia - Digo meio sem graça, reparando que ele está tentando segurar o riso, com certeza ele ouviu eu cantando e fazendo uma pequena performance de dança, fazer o que, estou de ótimo humor. - Bom dia Nick - Falo dando um abraço e um beijo na minha amiga - Hoje o dia está lindo não acha? - Olha só que bom humor, viu passarinho verde amiga? - Ela diz gargalhando - Toda linda, cabelo solto e arrumado. - Até que enfim consegui lavar o cabelo, ontem o senhor Pacheco dispensou a gente as nove acredita? Pena que vou ter que colocar a touca para trabalhar, queria ficar com ele solto - Digo, já fazendo meu coque. Já começo limpando e tirando o lixinho que ficam nas mesas, na maioria das vezes é só papel, mas eu fico irritada quando jogam chiclete e gruda tudo no cestinho. Chegou a hora de limpar a sala do chefe, aquela sala com um perfume maravilhoso, eu fico pensando em como gostaria de asprirar aquele cheiro direto da fonte, o pescoço do senhor Leonardo, só de pensar já fico com muito calor e envergonhada, como eu sou boba, é mais fácil uma vaca voar, penso rindo de mim mesma. Quando olho para um canto, vejo um porta canetas jogado e com todas as canetas espalhadas, que estranho, será que ele jogou isso em alguém? Vou lá e arrumo tudo do jeitinho que estava, coloco na mesa dele no devido lugar. A manhã passa muito rápido, quando vejo já está na hora de ir embora, vou até o vestiário me trocar para ir para o meu segundo turno na lanchonete do Pacheco, no elevador, dou uma checada no visual, meu cabelo está realmente bonito e muito comprido, todo mundo pergunta o nome da tinta que uso, mas na verdade essa é a cor dele mesmo, ruivo natural, até porque eu nem teria dinheiro para comprar tinta, muito menos ir ao cabeleleiro. Quando chego na lanconete, meu amigo Digão já vem com meu prato feito, como sempre o cheiro está divino, macarrão com molho a bolonhesa, amo demais, esse sabe cozinhar, por isso aqui está sempre lotado na hora do almoço, ainda bem que o Senhor Pacheco deixa a gente almoçar aqui e ainda me deixa levar para minha mãe, senão fosse isso, nem sei o que comeríamos em certos dias. Sempre a uma e meia, o crush da Alana, que é uma outra garçonete que trabalha aqui, chega para almoçar, ele é muito bonito, loiro, olhos azuis, ela se apressa para atender ele, ele é sempre muito simpático, ele olha para ela como se só existisse ela no mundo, mas nunca a chamou para sair, imagino que seja tímido, porque toda vez que ele fala com ela, fica todo vermelho, ele está sempre bem arrumado, deve trabalhar em uma das empresas aqui por perto, eu já disse para ela tomar a iniciativa, mas a vergonha não deixa, desse jeito, nunca vão se conhecer melhor. - Ai como ele é lindo - Ela diz se abanando quando chega perto de mim - Ele elogiou meus olhos, disse que são muito expressivos, achei fofo e disse que os dele é ainda mais bonito - Ela fica toda sonhadora. - Então Alana, chama ele para sair logo, ele já deu vários indícios de que está afim - Falo para ela que me olha negando, não tem jeito esses dois. - De jeito nenhum Lu, ele que tem que fazer a parte dele, vai que eu estou achando errado e ele me dá um fora - Me diz toda insegura - se ele estiver mesmo afim ele vai chamar um dia. - Dou de ombros e vou atender mais algumas mesas. Pego minha bolsa para ir embora, o corpo cansado depois de quase dezoito horas em pé, atendendo, sorrindo, segurando bandeja, implora por descanso, mas ainda tem um longo caminho até em casa. - Boa noite pessoal - me despeço já correndo para o ponto para esperar o ônibus, sentindo a tão familiar queimação na sola dos pés, hoje o senhor Pacheco não aliviou, só fechamos a lanchonete as onze, se o ônibus não atrasar e se nada acontecer no caminho, consigo chegar em casa à meia noite e meia, até me preparar para dormir será uma hora, serão três preciosas horas de sono. Desço no ponto próximo a minha casa, começo a fazer minha caminhada para chegar em casa, as ruas m*l iluminadas, quando estou passando em frente a um beco, alguém segura meu braço, dou um grito de susto e escuto uma risada que faz meu sangue gelar nas veias. - Boa noite senhorita Luiza, calma princesa, nós só queremos conversar - ele diz enquanto meu coração bate descontrolado. - Bigodinho - sussurro, reconhecendo de quem se trata, um tremor atravessa meu corpo inteiro, olho para os dois lados da rua, e constato que está deserta e escura, fico apavorada. - Então princesinha, infelizmente eu terei que pedir para que você antecipe as suaves parcelas do nosso acordo, eu quero 10 mil antecipado, porque precisei fazer alguns negócios e preciso desse dinheiro em duas semanas. - Ele diz como se não fosse nada. - Ma...mas eu - O medo faz minhas cordas vocais falharem, puxo uma inspiração profunda antes de continuar. - Eu não vou conseguir, eu arrumei outro emprego, e só consigo te pagar as parcelas. - Justifico, tão desesperada que estou totalmente paralisada. Bigodinho, chega bem próximo de mim, me deixando sentir o cheiro de cigarro e bebida alcoolica, provavelmente cerveja, ele é alto, magro e com um bigode ridículo, ele pega uma mecha do meu cabelo entre os dedos e diz. - Se você não coseguir arrumar o dinheiro, pode me pagar de outra forma. - Ele diz me olhando sugestivamente de cima a baixo, estremeço sentindo uma ânsia de vomito depois dessa sugestão nojenta. - Tudo bem, já pode ir, foi ótimo conversar com você! - Ele não precisa falar duas vezes, já estou praticamente correndo para longe do homem, quando estou longe o suficiente, corro e choro, hoje pela manhã estava tudo tão bem, mas eu já devia saber que dias bons não são permtidos para mim.
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