NARRAÇÃO DE KAITO... Saí desnorteado. Enquanto dirigia em alta velocidade, a lembrança do corpo estirado no chão me rasgava por dentro, repetidas vezes. Eu sentia culpa. Não sentia pena. Sentia medo — medo das consequências. Meu impulso ao empurrá-la não veio do nada. Foram provocações calculadas, palavras afiadas, o teste do limite do meu controle. E eu falhei. Minhas mãos tremiam ao segurar o volante com firmeza. Acelerava sem pensar, cortava carros com a respiração descompassada, o corpo parcialmente adormecido. Apenas apertava o volante, tentando me manter vivo. Em meio ao desespero, quase bati em um caminhão. O susto não foi suficiente para tirar meu pé do acelerador. Eu estava desesperado demais. O certo seria procurar meu pai. Pedir ajuda. Mas como? Como dizer que empurrei um

