Ficamos três dias vigiando aquela escola. A pequena Franklin Street Montessori parecia um lugar tão tranquilo, tão cuidadosamente construído para que os pais se sentissem seguros. Portões pintados de azul-claro, desenhos nas janelas, professores que sorriam para as câmeras. Mas o que me interessava era a brecha — e essa sempre existia. Cobra estava obcecado. Eu também, só que mais discreta. Na tarde de sexta, de dentro do carro com os vidros escuros, avistamos dois homens se destacando: o zelador, um sujeito baixo, calvo e com olhos inquietos, e o diretor da escola, um homem alto, acima dos cinquenta, com barba bem aparada, terno surrado e uma pasta sempre debaixo do braço. — Um desses dois vai nos abrir a porta — murmurou Cobra, observando pelos binóculos. — Mas só um tem o acesso certo

