Helena O carro preto me levou por horas em silêncio. Os dois homens à minha frente não falavam, não olhavam pra mim, não demonstravam nada além de frieza. A única coisa que eu sabia era que estava indo em direção a algo grande — e muito perigoso. Pela estrada, deixamos a poeira dos motéis baratos pra trás e cruzamos pontes até o brilho dourado de Manhattan surgir no horizonte. Quando o carro estacionou diante de um hotel cinco estrelas no Upper East Side, senti o estômago revirar. Eu, ainda com a roupa amassada da estrada, pisando num lobby de mármore branco e cortinas de veludo. Mas não era pela elegância que meu corpo tremia. Era pelo instinto: eu estava entrando na toca do lobo. Fui levada por um elevador privativo, que subiu direto ao último andar. Os dois brutamontes me escoltavam

