Ricardo narrando… Depois de terminar o whisky, eu fui pro quarto ainda com a cabeça bagunçada. A casa estava silenciosa, mas dentro de mim parecia ter um motor ligado, daqueles que não desligam nem na marra. Fechei a porta, tirei a camisa, senti o ar frio bater, e mesmo assim o corpo tava quente demais. Quente de um jeito que eu já sabia o nome. Vitória. Entrei no banheiro, liguei o chuveiro, a água caindo forte, fazendo vapor no vidro. Tirei o resto da roupa devagar, tentando respirar fundo, mas bastou fechar os olhos por um segundo pra ela vir inteira na minha cabeça. A boca vermelha. O vestido subindo com o vento. A mão dela no meu peito. O jeito que ela falou “quem disse que eu não quero ir?”. Caralho. A água bateu nas minhas costas e parecia que esquentava mais, em vez de ali

