Ricardo narrando... O relógio marcava quase dez e meia da noite quando as luzes do Rio começaram a aparecer no horizonte. O motor do carro roncava firme na estrada, e a cada quilômetro que passava, o cheiro do asfalto e da maresia se misturavam, trazendo de volta aquela sensação de casa — o tipo de lar que a gente odeia, mas nunca consegue largar. Edigar me deixou no morro dele, como de costume. Um aperto de mão, um olhar firme, e nada mais. — Se cuida, irmão — ele disse. — Sempre. Peguei meu carro e desci pra Maré. As ruas continuavam iguais: música alta nos becos, gente bebendo na calçada, e o mesmo cheiro de fritura vindo das lanchonetes de esquina. Nada muda muito por aqui. Só as pessoas. Assim que estacionei perto da boca, dois dos meus homens já vieram ao meu encontro. — Ch

