Vitória narrando… Domingo tinha cheiro de descanso, mas minha casa parecia vibrar no mesmo compasso do meu coração. A luz do fim da tarde entrava pela janela e riscava o chão recém-encerado; a cortina branca respirava devagar, como se a casa também estivesse de olho no relógio comigo. Dezoito horas. Eu repeti mentalmente, como quem chama sorte pelo nome. Dezoito horas e eu ia olhar nos olhos de Ricardo sem a música gritando ao redor, sem a confusão do pagode, sem a coragem alcoólica de ontem. Ia olhar como eu queria — inteira, sóbria, no meu tempo. — Vitóóória! — a voz de Brenda cortou o corredor com energia de feriado e matei um sorriso antes mesmo de vê-la. — Me diz que esse secador tá ligado há mais de cinco minutos, senão eu entro aí e faço intervenção! — Tá ligado — respondi, rindo

