Ricardo narrando O rádio chiava sem parar no meu bolso quando saí de casa. A cada estalo, um código, uma bronca, mais um problema surgindo. E eu já não tinha mais paciência pra nada. A cabeça ainda fervia com a conversa que tive com Vitória. O jeito firme dela, me dizendo que ia sair da minha casa com ou sem a minha permissão, ecoava na minha mente como se fosse afronta. Desci a ladeira, a corrente batendo no peito, o suor colando a camiseta. Quando cheguei na boca, o movimento tava frenético: vapores correndo de um lado pro outro, dinheiro sendo contado, clientes de olho arregalado esperando a vez. Mas o clima era frouxo, como se faltasse pulso. — Que p***a é essa? — gritei logo na entrada. O silêncio caiu pesado. Todos pararam, me olhando com medo. Caminhei até a sala de comando, chu

