Ricardo narrando Cheguei na boca e já senti o clima pesado. Muita gente aglomerada, uns vapores tentando segurar o movimento, outros discutindo alto. O rádio não parava de chiar, cada um falando uma coisa, parecia até feira. Pedro já tava no portão, a cara fechada. Quando me viu, veio logo na direção: — Ric, o bagulho tá feio. Tão dizendo que a carga veio errada, que o pó tá batizado. — Ele falava baixo, mas a tensão dava pra sentir. — Morador tá reclamando, vapor tá quase saindo no soco com fornecedor. Soltei uma risada seca. — Esses filha da p**a tão achando que aqui é bagunça? Passei pelo corredor estreito, e quanto mais eu andava, mais as vozes se calavam. Entrei na sala de comando, a fumaça de cigarro e maconha impregnada, gente falando tudo ao mesmo tempo. Bati a mão na mesa co

