Ricardo narrando Deixei Vitória na casa. Ela desceu do carro devagar, me olhou por cima do ombro como se quisesse falar alguma coisa, mas ficou quieta. Só acenou com a cabeça antes de entrar pelo portão. Fiquei parado alguns segundos, motor ligado, encarando a porta se fechar atrás dela. Uma parte de mim queria desligar tudo, entrar junto e esquecer do mundo. Mas não dava. Dono do morro não tem esse direito. Engatei a primeira e desci o beco, Pedro sentado ao meu lado, cigarro na boca, rindo sozinho. — Qual é a graça? — perguntei, sem paciência. Ele soltou a fumaça pela janela. — A graça é que tu tá diferente, Ric. Mas deixa quieto… — deu um trago fundo. — O bagulho agora é outro. Assenti, firme no volante. — É. Agora o corre é pesado. Seguimos em silêncio por alguns minutos, o ronc

