Ricardo narrando Cheguei cedo demais da boca, corpo pesado, cabeça girando, gosto de álcool queimando a boca. A madrugada inteira tinha sido bebida e bronca, e mesmo assim nada tirava da minha mente a lembrança da conversa com Pedro e o que Vitória tinha dito no dia anterior. A cada passo dentro de casa, a raiva crescia. O cheiro de café me guiou até a cozinha. Vitória estava lá, sentada à mesa, xícara nas mãos, o olhar calmo demais pra quem sabia que ia enfrentar a fúria de um chefe de morro. A mochila encostada na cadeira denunciava a decisão dela. — Ricardo… — começou, a voz baixa, mas firme. — Eu achei um lugar. Parei na porta, arregalei os olhos, e por um instante pensei que tinha ouvido errado. Mas ela me encarava sem tremer. — Que p***a de lugar, Vitória? — perguntei, a voz ro

