Ricardo narrando O rádio estalou de novo no meu bolso, e a voz do olheiro veio urgente: — Chefe, deu r**m com uns vapores aqui na subida do beco da praça. Tão discutindo feio, quase na porrada. Fechei os olhos, respirei fundo. A dor de cabeça ainda me lembrava da noite passada, mas no morro não existe ressaca. O corre não espera ninguém. Olhei pra Vitória. Ela ainda estava sentada na cadeira, o olhar fixo nas notas, como se o dinheiro fosse a única coisa segura ali dentro. A respiração dela mudou quando me ouviu. — Vou sair com o Pedro. — falei firme, puxando o boné pra frente. — Tem uns vapores esquecendo quem manda. Vou resolver. Ela ergueu os olhos, assustada. — Agora? — Agora. — respondi seco. Pedro já estava de pé, cigarro aceso, pronto. Dei dois passos até a mesa, apoiei as

