Ricardo narrando Ela acordou assustada, com os olhos arregalados, e soltou um lamento que me deu um soco no estômago. Não era um choro alto, mas um gemido de dor, de desespero. Ela se encolheu na cama, como se eu fosse um monstro pronto para atacá-la. "Ei, calma, menina. Calma", eu falei, com a voz mais mansa do que eu pretendia. Eu me aproximei da cama, devagar, e me sentei na beirada. A mão dela, frágil e pequena, estava agarrada ao lençol. O rosto dela estava pálido e suado. Eu toquei no rosto dela, e ela se assustou. "Calma, é só um desmaio. Cê tá bem", eu disse. "Foi de fome, eu acho. Cê não comeu nada." Ela fechou os olhos, e as lágrimas escorreram. "Isso acontece sempre?", eu perguntei. Ela balançou a cabeça, sem me olhar. "Sim. Acontecia, na verdade. O meu maior medo era qu

