Ricardo narrando Deixei Vitória na porta de casa. Ela entrou devagar, ainda corada, com os olhos baixos, mas firme. Queria que ela descansasse, que respirasse, que se recompusesse depois de tudo que tinha passado hoje. — Fica aí, respira. Eu volto pra casa depois. — falei, tentando soar firme e calmo. Ela assentiu com um leve sorriso tímido, sem dizer nada, e fechou a porta atrás de si. Fiquei parado por alguns segundos, olhando a casa silenciosa, sentindo cada lembrança do que tinha acontecido entre nós naquele almoço, no beijo, na sala de comando… tudo misturado numa tensão que me queimava por dentro. Voltei pro carro, mas a rotina da boca não conseguia ocupar minha cabeça. Cada lembrança dela vinha como um estalo: o beijo, o toque delicado, o cheiro do cabelo, o jeito que ela ficav

