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Ricardo narrando… Dois dias de estrada. Duas noites m*l dormidas, com o corpo pedindo cama e a mente ligada no que vinha pela frente. O motor do carro já parecia fazer parte do meu pensamento — o som grave, constante, quebrando o silêncio das rodovias desertas. Edigar dirigia concentrado, o cigarro entre os dedos e o olhar fixo na estrada. Eu do lado, observando o caminho pelas janelas sujas. O horizonte já não tinha mais cara de Brasil; a vegetação mudava, a língua das placas também. A gente tava chegando em Amambay, Paraguai. — Enfim, chegamos, irmão. — disse Edigar, soltando a fumaça pela janela. — Dois dias de puro inferno, mas chegamos vivos. — Vivos e inteiros. — respondi, o olhar preso nas luzes que começavam a surgir à frente. — E agora começa a parte difícil. Ele riu de canto

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