Ricardo narrando Levantei da mesa depois da última garfada. Peguei o rádio que estava preso na cintura e apertei o botão. Vozes misturadas explodiram no chiado: aviso de ronda, movimentação de carga, cobrança de dívida. Sempre tinha alguém querendo falar comigo, sempre tinha alguma merda para eu resolver. — Aqui é o Ric. Fala. — respondi, com a voz firme, caminhando até a sala de estar. Enquanto um dos meninos me atualizava sobre a chegada de uma moto suspeita na entrada do morro, eu observei o relógio de parede. Ainda era cedo, mas eu sentia o cansaço nos ombros. A responsabilidade nunca dava trégua. Respirei fundo, ajustando a arma na cintura, e finalizei a conversa com ordens rápidas. Quando guardei o rádio de volta, ouvi um barulho discreto vindo dos fundos da casa. Um som de cadei

