Vitória narrando Acordei com a luz do sol batendo no meu rosto. O quarto estava claro e o silêncio da manhã me fez sentir uma paz que eu não sentia há muito tempo. Por um segundo, me esqueci de onde eu estava. Senti meu corpo leve e a mente clara. Foi a primeira noite da minha vida que eu dormi de verdade, sem pesadelos, sem medo. Sentei na cama, ainda meio grogue de sono, e olhei ao redor. Foi aí que eu o vi. Ricardo estava na poltrona, do outro lado do quarto, com a cabeça pendurada para o lado, a boca entreaberta, e o corpo relaxado. Ele estava dormindo. E a arma, como sempre, estava no coldre. A ficha caiu. Ele passou a noite inteira ali, sentado naquela poltrona, para me proteger. Aquele pensamento me atingiu em cheio. O homem que me tirou da minha vida, que me obrigou a vir para

