NARRADO POR HEITOR "FEROZ"
O ar no bunker estava tão saturado de testosterona, ódio e eletricidade que o oxigênio parecia ter virado chumbo. Eu sentia o peso de cada batimento cardíaco contra as costelas, um metrônomo de guerra que ignorava o zumbido dos servidores e o estalo seco do ar-condicionado. Na minha frente, a Kyra Volkov não era uma mulher; era um erro sistêmico, uma predadora que não buscava abrigo, mas um trono para reconstruir seu império de cinzas sobre os destroços do meu. O olhar dela era uma lâmina de gelo que tentava perfurar a minha blindagem, e eu? Eu estava doido para sentir o corte.
— Então vamos ver se você é boa como dizem por aí, ou se o gelo da Rússia te deixou mole, gringa — soltei, a voz saindo como um rosnado, carregada de um deboche que eu usava para desestabilizar quem eu queria ver morto antes do amanhecer.
Eu não sou de dar aviso prévio. No meu mundo, quem fala demais morre de língua de fora, servindo de exemplo para o próximo o****o. Avancei com um jab seco, visando o queixo dela, rápido e técnico. Não foi para nocautear, foi para testar a fibra da gringa. Se ela fosse só marra, o papo acabava ali, com ela no chão e meus soldados jogando o corpo dela no lixão. Mas a fdp era cirúrgica.
Ela não só bloqueou com o antebraço um estalo seco de osso contra osso que ecoou nas paredes de ferro como respondeu na mesma moeda com um chute baixo, mirando o meu joelho para explodir minha base e me deixar de quatro. Eu girei o quadril no último segundo, absorvi o impacto na carne dura da coxa e tentei varrer a perna dela por fora.
A Kyra perdeu o equilíbrio por um átimo. Meio segundo no meu Império é a diferença entre a glória e a vala comum. Mas a russa travou o corpo no ar, usou o próprio impulso e voltou para a guarda com uma agilidade de bicho da selva. Os olhos dela estavam fixos nos meus, injetados de uma fúria calculista que me deu um t***o de morte.
— Tu tem escola, russa — rachei um sorriso torto, sentindo a adrenalina latejar na minha nuca como um tiro de fuzil.
— Eu tenho resultado, Heitor. Escola é para quem tem tempo a perder e medo de se sujar — ela devolveu, a voz cortante como uma navalha enferrujada no escuro de um beco.
Mudei a guarda, cerrando o punho até as articulações estalarem. Mandei dois diretos rápidos no tronco para forçar a defesa dela a descer, deslizei para o clinch e prendi a nuca dela com as duas mãos, trazendo-a para o meu mundo de brutalidade crua. Senti o calor da pele dela, o cheiro de pólvora que ela trouxe da rua misturado com um perfume caro que dava vertigem. Tentei travar o punho dela, usei meu peso e o quadril para quebrar a base dela, empurrando a Kyra contra a parede de metal. A jaqueta de couro dela raspou no ferro com um som estridente, um grito de metal contra metal. Fui para a queda, braço travado na cintura, perna buscando o calcanhar dela para terminar o serviço.
A gringa foi visceral. Ela antecipou o movimento, fez o corpo desaparecer meio palmo para o lado, girando no próprio eixo, e minha pegada pegou o vazio. A resposta dela veio com a crueldade de quem foi treinada por carrascos: uma cabeçada curta, seca, certeira no meu osso zigomático. O mundo piscou branco por um instante, o gosto de ferro do sangue subiu na minha boca em um segundo. p**a que pariu. Dei um passo atrás, absorvi o choque e, sem dar respiro, devolvi um chicote de canela no músculo lateral da coxa dela. A perna dela deu aquela desligada por um segundo, mas o olhar daquela mulher continuou aceso era puro ódio misturado com cálculo matemático.