A subida era um calvário de concreto e pecado, mas eu não sentia o cansaço; a adrenalina corria nas minhas veias como chumbo derretido, silenciando qualquer fraqueza da carne. O morro, aquela entidade viva que respira medo e pólvora, tinha entendido o recado: eu não era uma turista em busca de emoção, eu era a p***a de uma ceifadora russa de salto agulha, esculpida na frieza da Sibéria e forjada no fogo das favelas. As janelas batiam, os vapores moleques que se achavam donos da boca enfiavam os canos das peças pra dentro das calças e desviavam o olhar. Eu exalava o cheiro da morte iminente, e até os vira-latas sarnentos da subida sabiam que rosnar pra mim era pedir pra virar peneira. Cheguei no Bar do Severino, um buraco que fedia a cachaça barata, suor de desespero e traição acumulada.

