— Acabou a aula, Volkov. Vem, p***a. — Minha voz sai como um rosnado, sem paciência pra etiqueta de diplomata. Saímos pelo corredor de cimento bruto do bunker sob um silêncio que pesava mais que uma tonelada de chumbo nas costas. O bar do Severino engole nosso rastro como um buraco n***o, e a rua lá fora nos devolve o cheiro de chuva batendo no asfalto quente e o rastro metálico de pólvora que ainda flutua nos becos, perfume de quem vive no limite. A favela nos observa com o canto do olho, um organismo vivo que sabe quando a hierarquia mudou: janela que abre um milímetro, assobio curto de protocolo que corre as vielas como um rastilho, passo que abre passagem sem eu precisar pedir licença. Quem anda comigo o morro não barra o morro abaixa a cabeça porque sabe que, se eu tropeçar, o tombo

