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1022 Words
Pov Barão Eu já estava na pilha desde que acordei. O morro tava em paz, tudo do jeito que eu gostava. Os vermes que tentavam subir? Estavam no nosso bolso, comendo na nossa mão. Os inimigos? Neutralizados ou fugidos. Nada de tiro, nada de confusão. O dinheiro tava entrando pesado, mais do que o esperado, e isso sempre me deixava de bom humor. Mas, por mais que a grana estivesse fluindo e o respeito fosse garantido, tinha uma coisa que eu ainda não tinha resolvido: arrumar uma novinha. Nos últimos tempos, eu andava cansado. Cansado das mesmas mulheres, da mesma rotina. Já não tinha mais paciência pra caçar. Toda semana era a mesma coisa: pegava uma aqui, outra ali, mas nenhuma me segurava. Não queria compromisso, claro. Só uma amante fixa, alguém que eu pudesse chamar sempre que o corpo pedisse. Relaxar, aliviar o estresse sem precisar ficar rodando atrás de outra toda vez. Queria uma que soubesse o lugar dela, que não desse trabalho, que entendesse as regras do jogo. Foi aí que, no meio do baile, avistei aquela garota. Nova no pedaço, andando com a Jéssica, a amante do CL. Não demorou pra eu sacar que ela tava ali por um motivo. Não era só pra dançar ou beber, não. Tinha um propósito por trás daquela presença. E eu, que já tinha experiência de sobra nesse tipo de situação, logo percebi o que era. Quando ela passou por mim, não consegui ignorar. Seu jeito meio deslocado, tentando se misturar sem realmente pertencer... aquilo me chamou a atenção. Eu sabia que ela estava jogando, tentando parecer confortável naquele ambiente, mas os olhos dela entregavam a verdade. Ela tava com medo, mas também tava decidida. — E aí, novinha — chamei, com a voz grave, esperando pra ver como ela reagiria. Ela hesitou, quase saiu andando sem olhar pra trás, mas algo a fez parar. Devia estar lembrando por que estava ali. Quando ela se virou e me olhou, o medo tava nos olhos, mas ela sorriu, forçando um ar de confiança. Eu admirei isso, aquela tentativa de segurar as pontas. Não é qualquer uma que faz isso quando se encontra com alguém como eu. Conversa vai, conversa vem, e eu já sabia o que queria. Não precisei de muito. Ela tinha o olhar de quem estava à beira de um precipício, pronta pra pular se isso significasse sobrevivência. E eu, claro, estava lá pra dar o empurrão que faltava. — Daqui a pouco você desce lá no meu barraco, a gente conversa melhor — disse pra ela, deixando claro o que viria depois. Me afastei, mas não sem antes sentir o arrepio que percorreu o corpo dela quando falei. Eu já sabia que ela viria. Não importava o que ela pensasse agora, a decisão já tava tomada. **** Cristal Eu não sabia o que fazer ou como agir. Minha mente estava a mil, e o medo já tomava conta de cada pensamento. O que eu ia dizer pra ele? O que ele queria exatamente de mim? E se ele me batesse? Se me machucasse? Todas essas perguntas rodavam na minha cabeça, e cada uma delas me deixava mais tensa. Mas a verdade é que eu não podia mais voltar atrás. Já tinha feito a escolha. Tinha entrado naquele mundo sabendo o que poderia acontecer, e agora, minha única saída era encarar isso de frente, com medo mesmo. Respirei fundo e desci até a parte de trás do camarote, o coração batendo tão forte que parecia que ia explodir. Assim que cheguei lá, vi um garoto montado em uma moto, parado como se já estivesse esperando por mim. Ele me olhou de cima a baixo, um olhar frio, distante, como se eu fosse só mais uma tarefa a ser cumprida. — Você é a Cristal? — perguntou ele, direto. Eu não consegui responder com palavras, então só balancei a cabeça, confirmando. Ele assentiu sem demonstrar nenhuma emoção e apontou pra moto. — Sobe aí — disse, sem se importar com o meu silêncio. Minhas pernas estavam tremendo, cada passo parecia mais pesado que o anterior. Subi na moto devagar, sentindo o ar gelado da noite bater no meu rosto, mas o frio não era só do vento. Era o medo que agora tomava conta de mim por completo. — O patrão pediu pra levar você até ele — disse o garoto, ligando a moto. "Patrão." Aquela palavra fez tudo parecer ainda mais real. Barão agora não era só o cara que eu tinha trocado algumas palavras no baile. Ele era o chefe. E eu estava prestes a ser levada até ele, sem saber o que esperar ou o que aconteceria depois. A moto arrancou, e eu me agarrei ao banco com força, tentando não deixar o pânico tomar conta. Já não tinha mais volta. O rapaz me deixou em frente a uma casa que, à primeira vista, parecia simples, mas era bonita. Comparada às outras do morro, ela se destacava. Pintura recente, cercas intactas, e uma pequena varanda. Mesmo sendo um lugar humilde, dava para ver que quem morava ali tinha poder. A sensação de desconforto cresceu dentro de mim. Eu sabia o que estava prestes a acontecer, mas não tinha ideia de como ia lidar com aquilo. — Depois eu volto pra te buscar — disse o garoto, já acelerando a moto antes mesmo que eu pudesse responder. O som do motor se afastando ecoou na rua vazia, me deixando sozinha ali, em frente à porta. Quando me virei, ele já estava lá. Barão. Parado na entrada, me observando com aquele olhar intenso. Um cigarro preso entre os dedos, soltando uma fumaça que dançava no ar. Ele parecia relaxado, quase como se já soubesse tudo o que estava se passando dentro de mim. Não disse nada. Não precisou. O silêncio dele me dizia mais do que qualquer palavra. Fiquei ali, congelada por alguns segundos, tentando encontrar coragem para dar o próximo passo. Meu coração batia tão forte que podia sentir cada pulsação na garganta. Mesmo sem falar, eu sabia que ele estava esperando por mim. Esperando que eu fosse até ele.
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