Nathaly
Entrei no departamento de registro civil americano com cara de quem iria a um velório. Mais uma vez, Thales venceu sem que eu tivesse a chance de lutar.
Antes de registrar o casamento, passamos por uma Quando questionado de porque querer casar, Thales fez uma breve dissertação do quanto estamos apaixonados e das suas viagens ao Brasil para me ver.
Juro, quase acreditei em tudo que ele falou. Até mostrou nossas fotos da minha estadia aqui a dois meses atrás e o exame que fiz no Brasil para saber se eu estava grávida.
- Fico feliz em ver que é um casamento autêntico. Como vocês já vivem juntos, não vou dificultar a união de vocês.
- Sou muito grato. Não tem sido fácil morar aqui e ela no Brasil.
- Em seus meses dou a ela a cidadania definitiva. É o menor prazo exigido por lei.
- Ficou profundamente grato. Para minha esposa é muito importante. Não iria ficar tranquilo se não estiver tudo correto.
- Eu sei. Não acredito que um importante empresário como o Sr, vá se prestar a acordos para conseguir a cidadania de outros.
- Agradeço sua compreensão.
Em seguida, fomos registrar nosso casamento sem mais nenhum contratempo. Thales era realmente capaz.
Quando dissemos sim na frente do juiz, Ele pediu as alianças. Quase entrei em pânico!
Um dos homens que era testemunha, estendeu a pequena caixa já aberta onde se viam as duas alianças. Ele realmente pensava em tudo.
Quando meu agora marido, empurrou a grossa aliança em meu dedo anular foi que percebi que não estava com o anel que Renan me deu. Fiquei inquieta e com os dedos tremendo, coloquei a aliança nele. Minha mente preocupada estava focada em onde poderia estar o anel. Não escutei as palavras do juiz e vi o rosto de Thales cada vez mais perto. O beijo a seguir foi profundo e demorado, era mais uma punição do que beijo e só terminou quando um leve raspar de garganta se fez ouvir.
- Desculpe, acho que me empolguei.
Seu sorriso era leve e descontraído e eu estava vermelha de vergonha.
- Eu compreendo. Assinem aqui por favor.
Na saída fomos cumprimentamos pelos dois casais que foram testemunhas e descobri que eram funcionários de Thales.
- Parabéns chefe, desejo toda felicidade do mundo.
- Obrigada por virem.
- Eu não perderia por nada. Parabéns Sra Orsini.
- Nathaly, esses são Collins meu assessor. Elizabeth minha secretária, Lenon é irmão da Lana e contador e Lizzy, nossa melhor arquiteta.
- Prazer conhecer a todos. Obrigada por comparecer.
Tinha que ser educada, essas pessoas não tinham culpa pelo que estou pensando.
- Então a gente vai indo. Hora de dar espaço para o casal. Aguardando o convite para a comemoração.
Thales respondeu com um sorriso e foi me guiando para o carro.
- Em que estava pensando?
- Hum?
- Na hora de colocar a aliança. Seu dedos tremiam tanto que achei que deixaria cair.
- Me dei conta de que perdi o meu anel de noivado. Tenho certeza que não o tirei.
Vi o rosto dele ficar escuro.
- Seu anel de noivado é?
- Eu tenho que devolver não? Se não casei é justo devolver. Lucy vai me infernizar por ter perdido o anel.
Sinto sua mãe em meu rosto e minhas mandíbulas doem com o aperto.
- Em um momento que deveria ser importante, especial e nosso, você estava pensando em outro?
- Não, pensando no anel.
- Eu o tirei do seu dedo e entreguei para Lana. Já deve estar com Augusto ou Lucy.
Minha cara de quem não gostou ficou muito nítida.
- Não ia admitir que minha mulher carregasse no dedo o anel de outro homem. Nem em sonhos.
Continuei calada e emburrada no banco. O braço dele passou pelo meu ombro me puxando ao seu encontro.
- Vou comprar um anel adequado para você, não precisa ficar zangada.
- Não tem necessidade.
- Tem sim. Você ficou toda murcha por causa do anel.
- É só um anel e não me pertence. Naturalmente iria me preocupar se fosse perdido, de onde eu iria tirar dinheiro para pagar?
- Não é grande coisa para a família Alcântara. Agora pare de mencionar seu ex na minha frente. Acabamos de nos casarmos é inadmissível que esteja pensando nele.
Deixa ele fazer o que quiser, não adianta discutir com ele. Faz questão de interpretar como quer, que seja.
- Seu telefone novo, já está registrado com um número local.
- Obrigada.
Agradeço e o colocou na bolsa sem me preocupar em olhar. Sei que é um aparelho top de linha, mas sem meus contatos, não é muito útil.
Não fomos para a mansão no campo, em poucos minutos estávamos em uma cobertura dentro de um hotel no centro.
- Bem vinda ao lar gatinha.
- Obrigada. Onde é o meu quarto?
- Seu quarto?
Ele levantou o dedo girando a aliança, seu rosto sério.
- Agora é o nosso quarto. Marido e mulher dormem juntos, lembra?
- Não estou interessada em dormir com você. Melhor eu ter um quarto separado.
- Querida, já fomos muito além da noite de núpcias. Eu gastei muito para ter você só como decoração.
Suas últimas palavras me destruíram completamente. Estar aqui e casada contra a minha vontade já me deixou muito insatisfeita, mas agora, ser forçada a sexo para mim era a morte.
Todo respeito que tive por ele se foi e a descrença tomou conta de mim. Vivi o que julguei a melhor experiência da minha vida, me julguei apaixonada por esse homem. Agora ele acabou de destruir tudo de vez. Prefiro morrer a ser tratada com tamanha falta de respeito. Ele me reduziu a uma prostituta barata e isso eu não iria perdoar.
- Você vai ter exatamente o que merece Thales. Pode deixar que vou valorizar o seu investimento.
Estava extremamente calma, se tem uma coisa que sei bem e que sair do sério não vai adiantar. Me viro e pergunto outra vez:
- Onde é o quarto?
- Por aqui madame Orsini.
- Obrigada.
O quarto é impressionante. Grande, luxuosamente decorado, arejado e com uma vista ampla da cidade.A cama muito maior que qualquer outra que já vi e eu gostei, tinha muito espaço para manter distância.
- Onde estão minhas coisas?
- Brigitte já deve ter organizado no closet.
Ele abriu uma das portas e me convidou a entrar.