Thales
Mesmo furioso, meu desejo por Nathaly não diminui. Nossa discussão foi feia e eu estou descontrolado com o que vi e ouvi. Uma Nathaly desafiadora me confronta feroz e tem a coragem de me mandar ir atrás de Júlia, não quero Júlia. Quero a minha mulher e quando penso na forma miserável em que Júlia me traiu, penso que Nathaly está perto de fazer o mesmo.
Não vou permitir. Vou mostrar a ela que sou homem para manter ela na cama totalmente satisfeita.
Rasgo sim a sua roupa, tenho urgência de estar dentro dela e por mais que ela se debate dizendo que não, eu sei que ela me quer.
- Sai de cima de mim. Eu nunca vou te perdoar por isso!
- Não estava negociando a pouco sem minha permissão? Não precisa se vender por dinheiro, eu tenho muito e posso te dar.
- Você já me comprou e pagou caro por mim. Não invista mais alto porque não tenho mais nada a oferecer.
Essas palavras foram como punhais em meu peito, foi essa maldita frase que a fez se afastar da última vez. Nós estávamos bem e eu até resolvi ignorar o maldito relatório que recebi no meio da tarde. Mas os acontecimentos da noite me tiraram do sério. E se eu estiver errado?
- Vai se vestir Nathaly. Melhor irmos para casa.
Me levantei e fui ao banheiro, lavei o rosto e me acalmei. Voltei e ela estava no mesmo lugar, encolhida em posição fetal totalmente diferente da fera que há pouco me confrontou.
- Vista e vamos embora. Não quero passar a noite aqui.
- Você pode ir se quiser. Amanhã peço para alguém do hotel comprar roupas para mim e depois vou.
Só agora me dei conta de que ela não tinha o que vestir. Isso foi realmente uma loucura, eu saí do controle feio.
- Me desculpe Nathaly, eu vou...
- Não se desculpe! Suas desculpas não tem sentido.
- Eu não deveria ter feito isso. Rasgar as suas roupas assim foi demais.
- Não são as minhas roupas, são suas. Você pagou por elas, então pode fazer o que quiser.
O seu tom era baixo e parecia calmo, nas eu sei que está fervendo de raiva por dentro e sua vontade é de gritar. E ela tem toda razão.
- Pode por para fora Nathaly. Eu sei que mereço sua ira.
- Não tenho esse direito. Já me dou por satisfeita por não me rasgar junto com o vestido. Afinal você pagou por mim também.
- Pare com isso, já me desculpei.
- Não tem sentido se desculpar, tudo te pertence, então faz o que quiser. Não vou reclamar, serei a prostituta que você comprou. Não precisamos ir embora, termine o que começou e vamos dormir.
- Não vou fazer isso com você. Não vou fazer isso com a gente.
Nathaly dá uma gargalhada falsa e sei que as coisas vão piorar.
- Não existe nós Thales! É só você e o que você quer, o que você pode comprar. Você acha que me comprou? Você me obrigou, me chantageou e tem meu corpo. É só isso que vai ter de mim, se me forçar demais, já não tenho mais nada a perder. Morrer vai ser libertador.
Fico chocado com suas palavras e antes que possa digerir, ela está no banheiro com o chuveiro ligado.
Saí do quarto porque não tenho coragem de encarar ela agora. Vamos nos acalmar e depois conversaremos com calma.
Ainda bem que NY não dorme. Não foi difícil achar uma loja e comprar roupas antes de voltar ao hotel.
Deixei as roupas no quarto e fui dormir no sofá, mas o sono não veio e amanheci o dia olhando pela janela. Quando Nathaly acordou, me encontrou ainda no sofá.
- Obrigada pelas roupas. podemos ir quando quiser.
- Nathaly, vamos conversar.
Eu sei que precisamos conversar, só não sei como consertar a situação.
- Não temos nada a dizer. Você manda e eu obedeço, já entendi meu lugar e não vou discutir.
- Nathaly, não sou seu dono. Só quero ser seu marido.
- A única coisa que serei é a p**a que você adquiriu. Posso interpretar a esposa, a amante o que você quiser. Mas não serei uma esposa real. Nunca vou te reconhecer como marido, o respeito que não tenho, não me permite ser sua mulher.
- Nathaly, tem tanta coisa que precisamos esclarecer, eu não quero te magoar.
- Não vai. A partir de hoje você não tem esse poder. Não tem que se preocupar com meus sentimentos, porque eu não vou deixar eles me afetarem. Agora se quiser ir para a sua casa iremos, se não, tanto faz
- É nossa casa Nathaly.
- Do jeito que você quiser.
Nathaly simplesmente se recusou a discutir comigo. Nunca vi uma mulher agir dessa forma e me preocupo. Sei que essa calma forçada vai explodir mais cedo ou tarde e então não sei o que vai acontecer.
Mais de uma semana se passou sem que ela se manifestasse. Eu quero minha mulher de volta e não esse robô que ela se transformou.
As jóias que usou no dia do coquetel ainda estão no criado ao lado da cama.
- Não vai guardar suas jóias?
Perguntei um dia.
- Pensei que você iria colocar elas em um cofre ou no seu escritório.
- São suas jóias, você as guarda onde quiser.
- Vou deixar no closet então.
Olho ela levar a pequena caixa sem nenhuma emoção. Assim como tudo que faz ultimamente.
Acho que é hora de ter uma conversa franca com ela.
- Nathaly, quero falar com você. Pode vir comigo?
Vou com ela até meu escritório. Ela tem toda liberdade por toda casa, mas o escritório eu pedi para ela não mexer e ela nunca entra aqui.
- Eu quero que veja isso.
Lhe entreguei o envelope que veio do Brasil.
Vi seus olhos se encherem de lágrimas e escorrer pelo rosto. Mas ela não disse nada.
- Precisamos conversar sobre isso Nathaly. Eu quero te ajudar, mas tem que me dizer a verdade.
- Nada do que eu disser fará diferença. Está tudo aí, preto no branco.
- Então você admite que fraudou a empresa da minha família?
- Se está escrito, como posso contestar? Sequer posso perguntar a meu pai sobre isso.
- Mas foi tudo para você Nathaly. A conta está no seu nome.