Mais nada a oferecer

1074 Words
Thales Mesmo furioso, meu desejo por Nathaly não diminui. Nossa discussão foi feia e eu estou descontrolado com o que vi e ouvi. Uma Nathaly desafiadora me confronta feroz e tem a coragem de me mandar ir atrás de Júlia, não quero Júlia. Quero a minha mulher e quando penso na forma miserável em que Júlia me traiu, penso que Nathaly está perto de fazer o mesmo. Não vou permitir. Vou mostrar a ela que sou homem para manter ela na cama totalmente satisfeita. Rasgo sim a sua roupa, tenho urgência de estar dentro dela e por mais que ela se debate dizendo que não, eu sei que ela me quer. - Sai de cima de mim. Eu nunca vou te perdoar por isso! - Não estava negociando a pouco sem minha permissão? Não precisa se vender por dinheiro, eu tenho muito e posso te dar. - Você já me comprou e pagou caro por mim. Não invista mais alto porque não tenho mais nada a oferecer. Essas palavras foram como punhais em meu peito, foi essa maldita frase que a fez se afastar da última vez. Nós estávamos bem e eu até resolvi ignorar o maldito relatório que recebi no meio da tarde. Mas os acontecimentos da noite me tiraram do sério. E se eu estiver errado? - Vai se vestir Nathaly. Melhor irmos para casa. Me levantei e fui ao banheiro, lavei o rosto e me acalmei. Voltei e ela estava no mesmo lugar, encolhida em posição fetal totalmente diferente da fera que há pouco me confrontou. - Vista e vamos embora. Não quero passar a noite aqui. - Você pode ir se quiser. Amanhã peço para alguém do hotel comprar roupas para mim e depois vou. Só agora me dei conta de que ela não tinha o que vestir. Isso foi realmente uma loucura, eu saí do controle feio. - Me desculpe Nathaly, eu vou... - Não se desculpe! Suas desculpas não tem sentido. - Eu não deveria ter feito isso. Rasgar as suas roupas assim foi demais. - Não são as minhas roupas, são suas. Você pagou por elas, então pode fazer o que quiser. O seu tom era baixo e parecia calmo, nas eu sei que está fervendo de raiva por dentro e sua vontade é de gritar. E ela tem toda razão. - Pode por para fora Nathaly. Eu sei que mereço sua ira. - Não tenho esse direito. Já me dou por satisfeita por não me rasgar junto com o vestido. Afinal você pagou por mim também. - Pare com isso, já me desculpei. - Não tem sentido se desculpar, tudo te pertence, então faz o que quiser. Não vou reclamar, serei a prostituta que você comprou. Não precisamos ir embora, termine o que começou e vamos dormir. - Não vou fazer isso com você. Não vou fazer isso com a gente. Nathaly dá uma gargalhada falsa e sei que as coisas vão piorar. - Não existe nós Thales! É só você e o que você quer, o que você pode comprar. Você acha que me comprou? Você me obrigou, me chantageou e tem meu corpo. É só isso que vai ter de mim, se me forçar demais, já não tenho mais nada a perder. Morrer vai ser libertador. Fico chocado com suas palavras e antes que possa digerir, ela está no banheiro com o chuveiro ligado. Saí do quarto porque não tenho coragem de encarar ela agora. Vamos nos acalmar e depois conversaremos com calma. Ainda bem que NY não dorme. Não foi difícil achar uma loja e comprar roupas antes de voltar ao hotel. Deixei as roupas no quarto e fui dormir no sofá, mas o sono não veio e amanheci o dia olhando pela janela. Quando Nathaly acordou, me encontrou ainda no sofá. - Obrigada pelas roupas. podemos ir quando quiser. - Nathaly, vamos conversar. Eu sei que precisamos conversar, só não sei como consertar a situação. - Não temos nada a dizer. Você manda e eu obedeço, já entendi meu lugar e não vou discutir. - Nathaly, não sou seu dono. Só quero ser seu marido. - A única coisa que serei é a p**a que você adquiriu. Posso interpretar a esposa, a amante o que você quiser. Mas não serei uma esposa real. Nunca vou te reconhecer como marido, o respeito que não tenho, não me permite ser sua mulher. - Nathaly, tem tanta coisa que precisamos esclarecer, eu não quero te magoar. - Não vai. A partir de hoje você não tem esse poder. Não tem que se preocupar com meus sentimentos, porque eu não vou deixar eles me afetarem. Agora se quiser ir para a sua casa iremos, se não, tanto faz - É nossa casa Nathaly. - Do jeito que você quiser. Nathaly simplesmente se recusou a discutir comigo. Nunca vi uma mulher agir dessa forma e me preocupo. Sei que essa calma forçada vai explodir mais cedo ou tarde e então não sei o que vai acontecer. Mais de uma semana se passou sem que ela se manifestasse. Eu quero minha mulher de volta e não esse robô que ela se transformou. As jóias que usou no dia do coquetel ainda estão no criado ao lado da cama. - Não vai guardar suas jóias? Perguntei um dia. - Pensei que você iria colocar elas em um cofre ou no seu escritório. - São suas jóias, você as guarda onde quiser. - Vou deixar no closet então. Olho ela levar a pequena caixa sem nenhuma emoção. Assim como tudo que faz ultimamente. Acho que é hora de ter uma conversa franca com ela. - Nathaly, quero falar com você. Pode vir comigo? Vou com ela até meu escritório. Ela tem toda liberdade por toda casa, mas o escritório eu pedi para ela não mexer e ela nunca entra aqui. - Eu quero que veja isso. Lhe entreguei o envelope que veio do Brasil. Vi seus olhos se encherem de lágrimas e escorrer pelo rosto. Mas ela não disse nada. - Precisamos conversar sobre isso Nathaly. Eu quero te ajudar, mas tem que me dizer a verdade. - Nada do que eu disser fará diferença. Está tudo aí, preto no branco. - Então você admite que fraudou a empresa da minha família? - Se está escrito, como posso contestar? Sequer posso perguntar a meu pai sobre isso. - Mas foi tudo para você Nathaly. A conta está no seu nome.
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