BÁRBARA NARRANDO Eu terminei a prova quase primeiro que todo mundo. Nem foi porque eu estava tranquila ou preparada demais. Foi porque minha cabeça já estava explodindo desde antes de sentar naquela cadeira. As respostas simplesmente saíram. Automáticas. Mecânicas. Como se meu corpo estivesse ali, mas minha mente estivesse em outro lugar — presa nas últimas quarenta e oito horas que viraram minha vida do avesso. Entreguei a folha para a professora, e ela ergueu as sobrancelhas. — Já terminou, Bárbara? — Já. Ela conferiu rapidamente as páginas e assentiu. — Pode sair, então. Saí da sala com a sensação estranha de leveza e peso ao mesmo tempo. Amanhã era feriado. Normalmente eu estaria animada para ir para casa, para ficar com a minha vó, para descansar. Mas agora eu nem sabia se qu

