LISA NARRANDO Eu simplesmente fiquei em choque. Ali era o Lobo. E quando é o Lobo, ninguém mete o nariz onde não é chamado. Pelo menos ninguém que queira continuar respirando tranquilo no dia seguinte. Eu conheço ele há tempo suficiente pra saber que quando aquele maxilar trava e o olhar fica frio daquele jeito, não tem argumento que entre. Então eu fiz o que qualquer pessoa sensata faria: fiquei quieta. Só observei. Vi quando ele discutiu com a Bárbara, vi ela negar alguma coisa, vi ele perder completamente a linha e, do nada, jogar a menina no ombro como se ela não pesasse nada e sair andando no meio da rua, arrastando ela pra longe dali. O morro inteiro ficou em silêncio por dois segundos. Depois voltou o burburinho, como sempre volta. Mas eu fiquei com aquilo preso na garganta.

