BÁRBARA NARRANDO Desde o dia da invasão, eu tenho evitado o Lobo como quem evita pisar em chão molhado depois da chuva. Sei exatamente onde escorrega. Se ele acha que eu vou pedir qualquer coisa pra ele, tá muito enganado. Pode continuar forçando fechadura, rodando maçaneta, testando minha paciência. Eu não vou facilitar. Tenho ido trabalhar com a minha mãe todos os dias. Acordo cedo, tomo café quase em silêncio e saio com ela. Quando volto, é sempre a mesma coisa: entro no quarto, tranco a porta e só saio quando tenho certeza que ele não tá pelo corredor. Às vezes eu vejo a fechadura se mexendo. E eu rio. Rio porque sei que ele não vai conseguir entrar. Não dessa vez. Não mais. Nunca mais ficamos sozinhos. Não teve mais beijo roubado, nem provocação sussurrada perto do ouvido. Só e

