Bárbara narrando O caminho de volta foi silencioso. Não porque não tivesse o que falar. Muito pelo contrário. Minha cabeça tava cheia. Cheia demais. Cada palavra que o Lobo tinha dito ficava ecoando dentro de mim, como se alguém tivesse apertado replay e não soubesse mais pausar. “Tua avó deixou a casa pra tu…” “Tua tia fez merda…” “Alguém mentiu pra tu…” Eu encostei a cabeça no vidro do carro, olhando a paisagem passar sem realmente ver nada. Minha avó nunca falou nada. Nunca. Nem sobre casa. Nem sobre herança. Nem sobre nada disso. E, ao mesmo tempo… Aquela atitude da minha tia… A pressa. A forma como ela me colocou pra fora. A frieza. Agora parecia tudo… suspeito demais. Eu fechei os olhos por um segundo, respirando fundo. Não. Eu não podia surtar. Não agora. Não daquele je

