Lobo narrando Depois que as coisas no morro finalmente ficaram sob controle, o silêncio que veio não trouxe paz — trouxe cansaço. Aquele tipo de exaustão que pesa nos ossos. Eu ainda sentia o corpo ligado no modo alerta, mesmo sabendo que, por enquanto, ninguém ia subir mais. Foi quando trombei com meu pai no meio da viela. Ele parou na hora. O olhar dele desceu direto pra minha camisa manchada de sangue. O semblante mudou na mesma hora — não era o chefe ali. Era meu pai. — Que pörra é essa, Lobo? — Calma. — Levantei a mão. — Foi de raspão. Ele veio pra perto, puxou minha camisa sem pedir licença. O ferimento ardia, mas nada comparado ao peso do olhar dele. — De raspão nada, tá sangrando. — Já estancou. Só abriu um pouco correndo. Ele respirou fundo, passando a mão pelo rosto.

