JAQUELINE NARRANDO Desde que eu cheguei na lanchonete, eu percebi uma coisa. A Bárbara não tá bem. Pode até parecer para quem olha de fora que tá tudo normal — ela trabalhando, ajudando no restaurante, conversando com os funcionários, organizando as coisas — mas eu conheço a minha filha. E conheço muito bem. Mesmo depois de tantos anos separadas. Mesmo depois de tanta coisa que aconteceu entre a gente. Tem gente que acha que tempo afasta mãe e filho, mas comigo não foi assim. Porque quando eu olho para a Bárbara… eu me vejo nela. Ela é exatamente como eu. Principalmente quando tem um problema. Ela engole. Guarda. Finge que tá tudo bem. E continua seguindo. Mas por dentro… tá um furacão. Desde que eu cheguei eu tenho percebido pequenos sinais. Ela evita alguns assuntos. Fi

